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Trabalhadores dos Correios encerram greve, e entregas devem voltar ao normal em até 10 dias

Guilherme Balza
Do UOL Notícias*
Em São Paulo

Funcionários ligados a 32 dos 35 sindicatos que compõem a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos (Fentect) já encerraram a greve que teve início no dia 16. Considerando o estatuto da federação, segundo o qual as decisões em nível nacional necessitam de aprovação de 18 sindicatos, a paralisação da categoria terminou, segundo a própria Fentect.

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Greve dos bancários continua no país

A greve dos bancários continua por tempo indeterminado no país, segundo informações da Contraf (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro). Um balanço feito na noite desta segunda-feira (28) mostra que 5.786 agências permaneceram fechadas no país hoje, quinto dia de paralisação. Na última quinta-feira, o número de agências paradas era 2.881, seguido por 4.791 no balanço da sexta-feira. A greve atinge todos os 27

Apenas os trabalhadores do Rio Grande do Sul e da regional Belo Horizonte mantêm a paralisação. A expectativa dos Correios é que os funcionários dos dois sindicatos aprovem o fim da greve em assembleias realizadas nesta segunda-feira (28). Os trabalhadores de Uberaba (MG) foram os únicos que não haviam aderido à paralisação. Segundo os Correios, a Fentect ainda não formalizou o fim da greve.

A estatal informou que as entregas começaram a ser normalizadas hoje e a carga em atraso deva ser regularizada entre sete e 10 dias. Até o final da tarde da última sexta-feira (25), havia 341,6 mil encomendas e 53,4 milhões de correspondências em atraso, segundo os Correios. O índice de adesão ao movimento grevista caiu de 4%, na sexta-feira, para cerca de 1% nesta segunda, de acordo com a estatal.

Propostas
Os trabalhadores reivindicam reajuste salarial de 41,03%, aumento linear de R$ 300 para todos os funcionários, além de redução da jornada de trabalho e contratação de mais servidores por concurso. Os Correios apresentaram sua contraproposta, que valeria para os próximos dois anos, oferecendo aumento salarial de 9%, reajuste linear de R$ 100, aumento no valor do vale-refeição de R$ 20 para R$ 21,50 por dia.

No entanto, o que mais causa rejeição entre os trabalhadores entre todos os itens da proposta da estatal é o acordo valer pelos próximos dois anos. Os funcionários exigem que o acerto valha somente até o ano que vem, segundo a Fentect.

“O governo quer fechar um acordo com as estatais pelos próximos dois anos porque quer afastar a possibilidade de greves e protestos por melhores salários em ano de eleição e, assim, evitar desgastar o candidato do presidente”, diz Nilson Rodrigues, integrante da Fentect em Curitiba.

Os sindicatos que já aceitaram a proposta da empresa são: Mato Grosso do Sul, Maranhão, Rio de Janeiro, Bahia, Rio Grande do Norte, Juiz de Fora (MG), Santa Maria (RS), São Paulo, Bauru (SP), Ribeirão Preto (SP), Santos (SP), São José do Rio Preto (SP), Rondônia, Pará, Acre e Brasília. Os trabalhadores dos outros sindicatos voltaram a trabalhar, mas não concordaram com a proposta dos Correios.

“A nossa orientação é de que a paralisação acabe para que não ocorra uma retaliação contra os trabalhadores. Porém, não podemos aceitar o acordo bianual proposto pela empresa, ele [o acordo] é contrário às nossas reivindicações”, disse o coordenador do comando de negociação, Nivaldo Schmucker.

Na quinta-feira (24), representantes da Fentect e da Empresa de Correios e Telégrafos (ECT) se reuniram no Tribunal Superior do Trabalho (TST), em audiência de conciliação mediada pelo ministro João Oreste Dalazen, mas não chegaram a um acordo. O ministro Márcio Eurico julgará o dissídio coletivo em data ainda não marcada.

Com o fim da greve, a Fentect deverá realizar uma plenária com representantes dos sindicatos, ou então uma reunião colegiada entre os diretores da entidade, para tentar definir uma posição em nível nacional e evitar o julgamento do dissídio coletivo. Caso os trabalhadores aceitam a atual proposta dos Correios, a estatal deverá fechar o acordo e solicitar ao TST o fim do julgamento do dissídio.

Questões políticas
Na sexta-feira retrasada, Lula palpitou sobre a greve e falou aos sindicalistas: “o bom dirigente sindical é aquele que tem coragem de começar a greve e tem coragem de acabá-la. O dirigente que fica pedindo aquilo que está além das possibilidades [da empresa], apenas para dizer que vai continuar em greve, pode levar os trabalhadores a prejuízos enormes no final das contas”, disse Lula.

Nilson Rodrigues, que entregou ao presidente a lista de reivindicações da categoria, respondeu à afirmação do presidente: “o próprio Lula, quando era dirigente sindical, acabou com greves que ele não poderia ter acabado. Ele tem que rever o seu passado de dirigente sindical antes de falar isso. Inclusive a história mostra que teve momentos em que ele foi ‘pelego'”.

As eleições do ano que vem ocupam um papel importante dentro da negociação pelo fim da greve. Dos sete trabalhadores da comissão de negociação, três são ligados à Articulação Socialista (do PT), à Corrente Socialista Classista e à Central dos Trabalhadores do Brasil (ambas ligadas ao PCdoB), setores que apoiam o governo federal.

Os outros quatro integrantes são ligados à Conlutas (Coordenação Nacional de Lutas), Movimento Resistência e Luta e PCO (Partido da Causa Operária), correntes de oposição ao governo petista. Do grupo, só concordaram com a proposta apresentada pelos Correios os três integrantes das correntes ligadas ao governo.

Como evitar transtornos
Para evitar transtornos com a greve, a Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) orienta as empresas a disponibilizarem outros canais para que as contas que chegam por intermédio dos Correios sejam pagas, além de informar os clientes sobre a medida.

Segundo o Procon, os consumidores também têm a responsabilidade de procurar a empresa e descobrir meios de pagar as contas. “Não é porque a conta não chegou que o cliente não tem que pagar, mas as empresas têm que disponibilizar novos meios e avisá-los”, afirma Fátima Lemos, assistente de direção do Procon.

Caso o cliente não receba a correspondência e não haja tempo hábil para efetuar o pagamento de outro modo, a empresa não deve cobrar multa e juros, de acordo com Lemos. “O mais certo é pagar uma segunda via sem multa e juros.”

*Com informações da Agência Brasil.

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